terça-feira, outubro 03, 2006

Inteligência Emocional

Encontrei nos meus arquivos um artigo fantástico, que reproduz uma entrevista feita ao Professor Boyatzis. A importância das experiências...


Conversa com Richard Boyatzis, professor de comportamento organizacional nos EUA
"O QI Está a Subir, mas a Inteligência Emocional Está a Cair"
Por JOANA AMORIM Segunda-feira, 10 de Setembro de 2001

Sabia que liderar e gerir pessoas sem inteligência emocional é o mesmo que dançar sem ritmo?
Richard Boyatzis explica porquê e diz que os "homens deviam ser economistas e engenheiros, e as mulheres líderes".

O povo tem (sempre) razão quando diz que à primeira estranha-se, mas à segunda entranha-se. Se não, vejamos. A aparelhagem engoliu já um qualquer CD de salsa ou merengue. Mal o "play" é activado, os olhos fecham-se e começam a decifrar e a sentir a música latina. As emoções soltam-se e o corpo avança com movimentos inicialmente tímidos, mas que depois se tornam mais impulsivos, mais conscientes de si e em plena comunhão com a melodia. Assim, de repente, dança-se... com ritmo.

Levanta-se a inevitável questão: mas que exercício estranho é este? A resposta é dada por Richard Boyatzis, especialista em inteligência emocional e professor de comportamento organizacional na Faculdade Weatherhead de Gestão, em Cleveland. Porquê a música? Porque, para Boyatzis, "liderar sem inteligência emocional é o mesmo que dançar sem ritmo".

Teoria, entre outras, posta em prática recentemente durante uma sessão de formação no Porto, com altos quadros de um grupo nacional. O PÚBLICO não dançou, mas aproveitou para conversar com Boyatzis sobre a importância do uso da inteligência emocional - que desde a publicação do livro de Daniel Goleman sobre o assunto correu meio mundo - concretamente no tecido empresarial.

Antes de mais, explique-se que por inteligência emocional entende-se "o uso [passo a redundância] inteligente das nossas emoções" - porque, antes de pensarmos, sentimos -, "uma série de capacidades que determina a forma como nos gerimos a nós próprios e como lidamos com os outros", e ainda, explica Boyatzis, "a capacidade de o líder construir relações".

Não, não estamos a falar do Quociente de Inteligência (QI), porque "esse toda a gente o tem", mas antes de "como e quantas vezes usamos a inteligência emocional e de quão sofisticados e desenvolvidos estão os nossos talentos", avança o autor de "The competent manager: A model for effective performance".

Um exemplo, com base numa pesquisa feita por Boyatzis: quando estudado um grupo de "pessoas talentosas, concluiu-se que 80 por cento das características destas são inteligência emocional". O problema parece ser o facto de haver poucos prodígios - por clara falta de exploração do talento e dessa inteligência, sublinhe-se – pois, de acordo com a pesquisa de Boyatzis, "metade das pessoas que assume lugares de liderança não tem valor, restringindo-se a uma pequena percentagem o número de pessoas eficazes".

Como se tal não bastasse, e consequência da sociedade dita pós-moderna, "o QI está a subir, mas a inteligência emocional está a cair". A solução está em trabalhar as emoções para com isso poder interagir com os outros e gerir o nosso próprio ego. Curiosamente, "as culturas mediterrânicas e latinas são mais emocionais e inteligentes que todas as outras". Boyatzis vai ainda mais longe ao afirmar que "os líderes mais eficazes são os que usam a cultura portuguesa". Uma boa nova, com um grande senão: não fazemos uso dessa mais-valia. E, dentro dessa cultura, defende o psicólogo, o poder devia ser dado às mulheres, pois "mostram muito mais frequência do uso da autoconsciencialização e da consciência social", pelo que os "homens deviam ser economistas e engenheiros, e as mulheres líderes". Por isso mesmo, frisa que "mais de metade das mulheres devia liderar as empresas". Devia, sublinhe-se, porque a realidade não se coaduna, de todo, com o desejo de Boyatzis.

Já no fim da conversa, o grego e super-comunicativo Richard Boyatzis tenta apurar da importância, no imaginário português, da "Pedra Filosofal", de António Gedeão. Isto para explicar que razão tinha o poeta, pois "eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida/ Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança/ como bola colorida entre as mãos duma criança".

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