quinta-feira, junho 17, 2010

COMPETÊNCIAS

“Não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos” (Autor desconhecido)

No artigo 2, quando tratei do assunto meritocracia, expressei radicalmente a minha fé e paixão por esta palavra. Neste mesmo artigo fiz menção a uma pesquisa que foi realizada com quase uma centena de líderes empresariais, que ocupam posições que hoje seriam desejadas pela torcida inteira do flamengo. Todos, sem exceção, atribuem o seu sucesso a uma longa jornada de trabalho, dedicação e determinação.

Acreditar em meritocracia e não terceirizar a responsabilidade do seu sucesso para a sorte ou para mão divina do seu Deus, nos leva necessariamente a acreditar também em competências. Ou seja, se o mundo é mesmo “meritocrático” no longo prazo, o único caminho para o sucesso é o caminho do desenvolvimento de competências. Uma competência significa, segundo o nosso “velho e bom” Aurélio, capacidade, aptidão.

Recentemente li um livro “interessante” sobre o assunto. O título é “Descubra seus pontos fortes” (Marcus Buckingham e Donald O. Clifton). Comecei gostando da abordagem. O resultado de uma pesquisa mundial foi apresentada logo no começo, mostrando que só 20% das pessoas entrevistadas acham que usam seus pontos fortes todos os dias. Depois disso me deparei com uma boa definição de ponto forte – “Um desempenho estável e quase perfeito em uma determinada atividade”, citando textualmente Tiger Woods. E blá blá blá blá blá blá. Até que chegou a página 35 e eu comecei a, digamos, perder o tesão pelo livro. – Tava indo tão bem! , pensei. Nesta página, eles começam a complicar o caminho para o sucesso, definindo e diferenciando Talentos, Conhecimentos e Técnicas. Daí pra frente, tirei pouca coisa útil do texto, embora o tenha lido até o fim e feito o teste que, supostamente, me mostrou os meus talentos naturais. Mais um enlatado americano. Um horror!

Quanto mais leio sobre carreira, sucesso e competências, menos aprendo. É incrível, mas o desejo insano de definir a sua verdade sobre estes temas e tentar montar um prato comestível a todos os pobres mortais que estão batalhando todo dia para tentar melhorar de vida, só faz com que estes autores me irritem. Definitivamente cansei. Cansei de todos. Prefiro a coisa simples. Que possa se transformar em ações concretas todo dia às 08h00 da manhã. Teorias rebuscadas sobre coisas simples são perda de tempo.

Na pesquisa que realizamos na ESAMC, pessoas que chegaram lá, e não que ficam por aí escrevendo sobre o assunto, definem competências de maneira simples e da mesma forma que já citada anteriormente: Capacidade. Só isso. Ponto final. Se você quer ser competente em algo, precisa desenvolver a capacidade de realização. E tem mais, quase todos afirmaram que, ao longo da carreira, tiveram que desenvolver muitas capacidades. Ou seja, não vieram com estes chips na cabeça desde o nascimento. Como sempre digo, quando quero aprender sobre algo, busco quem tem, ao meu ver, autoridade moral para falar do assunto. E quase sempre prefiro ouvir pessoas que realizaram coisas concretas e projetos reais naquilo que desejo aprender. Sendo assim, rejeito veementemente a visão “romântica” de que todos estão condenados a se darem bem apenas onde os seus talentos naturais possam ser usados.

Aceito sim que, em alguns casos, pessoas conseguem ter desempenho acima da média em algumas coisas com menos esforço do que outras. Também acredito que algumas competências são mais facilmente desenvolvidas por umas pessoas e não por outras. Mas daí a achar que tudo é “talento natural”, é too much para mim. Prefiro viver com a crença de que qualquer pessoa, independente de aspectos genéticos, pode conseguir um bom padrão de desempenho naquilo que decidir ter, desde que tenha uma motivação para tal e um nível de esforço proporcional à dificuldade da capacidade que quer desenvolver.

Pense nisso e decida com que visão você prefere ficar. Com a que acredita nos “talentos naturais” como única estrada para o sucesso ou com a visão de que é possível se construir esta estrada com as suas próprias mãos e sem depender da genética. Se a sua visão for a segunda, leia nos próximos artigos a subdivisão de competências em três grupos (técnicas, comportamentais e gerenciais) e as ferramentas disponíveis para se desenvolver todas elas. Caso contrário, compre o livro citado acima e leia mais um enlatado americano. Ah, e boa sorte!

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Obrigado.
Marcelo Veras
Vice presidente Acadêmico - ESAMC
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