terça-feira, junho 01, 2010

Inovação Empresarial no século XXI

A Inovação é considerada o processo mais antigo enquanto extensão da criatividade humana. Ao longo da História, é possível observar diversos exemplos de que a inovação faz parte da experiência humana desde os seus primórdios.

O século XVI caracteriza-se pelo grande desenvolvimento de descobertas científicas, que contribuíram de forma bastante acentuada para a identificação dos fenómenos naturais, como as descobertas de Galileu, Newton, Edison, Ford e Einstein, que impulsionaram e fundaram outras grandes descobertas e inovações empresariais. Assim, é possível observar a relação entre a ciência e a arte ao longo da História, caminhando a par e passo e chegando mesmo a depender uma da outra. Ambas resultando na produção de conhecimento.

Os finais do século XVIII e inícios do século XIX ficaram marcados por um grande conjunto de inovações de extrema relevância para o desenvolvimento do conhecimento do Homem, que influenciaram toda a sua experiência e ajudaram a melhorar o seu nível de vida, desde os transportes às telecomunicações. Estas grandes descobertas fundamentaram-se essencialmente a partir dos trabalhos de Einstein e Edison, dois grandes nomes que contribuíram para a compreensão da dimensão do universo, do tempo, do espaço e para o desenvolvimento da indústria electrónica, bem como para a compreensão da teoria da inovação e da metodologia de desenvolvimento de soluções. Alguns especialistas consideram este período como o “renascimento da inovação”, baseado na criação de um sistema que previa o registo de patentes e marcas, no sentido de respeitar o conhecimento intelectual e por sua vez amadurecer a compreensão do processo de inovação. No entanto, foi no século XX, que essas descobertas se começaram a comercializar, sobretudo descobertas no campo da física, nos sistemas de produção em massa, nas telecomunicações, na fotografia, na televisão, entre outras.

Foi a partir da década de 80 do século XIX até ao final do século XX que se deu início a uma nova era – a era da informação. Esta altura era caracterizada essencialmente pelo nível crescente e elevado da técnica, da informação, da ciência, da arte e da linguagem, o que facilitava o aceleramento da inovação e por conseguinte a optimização do desempenho e do sucesso empresarial. Esta identificação interactiva dos efeitos e dos conhecimentos do universo permitiram a criação de novos conhecimentos e consequentemente o desenvolvimento de novas soluções que visem a melhoria do nível de vida das pessoas.
Do século XX ao XXI, verificou-se uma descentralização do processo de aquisição do conhecimento, sendo que a inovação deixou de ser característica das grandes empresas com grandes recursos de investigação e desenvolvimento e passou a ser caracterizada pela fragmentação de informação, criando um processo de outsourcing impulsionado pela Internet – inovação aberta.

Nas últimas duas décadas, foi possível verificar uma difusão crescente da informação, criando uma inteligência empresarial, o que possibilita potenciais novas descobertas. Com a massificação da informação, a inovação tornou-se uma experiência contínua baseada num processo estrutural e previsível, e deve ser tida em conta de forma constante nas organizações, impulsionando o seu desenvolvimento rentável.
No decorrer do tempo e de acordo com o desenvolvimento social, tem-se verificado uma tendência de transformar os desejos de “mais e melhor” em necessidades. Este crescimento da sociedade e a crescente acumulação de bens conduziram a um aumento acentuado da concorrência e da descoberta, o que poderá ter suscitado sentimentos de renovação e concorrência e de forma quase imperativa a necessidade de inovar. Como resposta a esta necessidade são hoje muitos os países que adoptam políticas nacionais no que concerne à inovação, traduzidas em critérios que vão desde o estado da inovação às infra-estruturas necessárias para atingir os resultados pretendidos.

A OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos), conjunto de 30 países representados por governos democráticos e economias de mercado, é um exemplo desta aplicação. A Organização desenvolve no seu interior políticas de inovação e fornece as orientações que servirão de base para os estudos, pesquisas e benchmarking dos Estados-membros. Outro exemplo, no ano de 2000, o Conselho Europeu de Lisboa criou o SIE (Sistema Europeu de Inovação), visando apoiar a União Europeia através da criação de uma economia mais competitiva e fundada no conhecimento. Outros países como a China e o Irão estão igualmente a apostar na exploração dos sectores emergentes como as redes petrolíferas e o desenvolvimento da alta tecnologia, com vista à redução do nível de dependência do exterior e consequente melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos. Nos E.U.A. e na Índia promove-se a criação de organizações que ajudem a compreender os modelos de inovação. Uma forma de centralizar e envolver o conhecimento intelectual de todos é, segundo o professor Michael Porter, da Universidade de Harvard, a criação de um “cluster”, ou seja, um grupo de empresas concorrentes e cooperantes que esteja concentrado geograficamente, como Silicon Valley, no entanto, acrescenta, que não existe ainda uma prova de que esta relação entre o cluster e a inovação possa ser causal mas poderá facilitar e estimular a observação da relação dos recursos estratégicos e o desenvolvimento económico regional.

Apesar das inúmeras metodologias aplicadas à área da inovação, é fundamental desenvolver ferramentas, práticas e enquadramentos que estimulem de forma progressiva o pensamento inovador, tendo em conta que deve basear-se num processo contínuo, intencional e previsível. Geralmente, uma pessoa que detenha mais experiência consegue produzir um pensamento mais célere e estabelecer uma correspondência de informação mais rápida e eficaz. Esta aceleração do pensamento é um catalisador essencial para a criação e estímulo da optimização do valor da inovação.

Fonte:
Gupta, P. (2009). Inovação empresarial no século XXI - versão executiva. Porto: Vida Económica - Editorial, SA.

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