domingo, janeiro 30, 2011

A CRISE E A RAIVA, DESCONFIANÇA, CINISMO E DECADÊNCIA SENTIDOS PELO CONSUMIDOR

I. Se desde Setembro de 2008 passámos a ter a palavra “Crise” presente em cada momento das nossas vidas, os recentes problemas dos rácios de Dívida Interna e GDP não somente fizeram com que a crise assumisse proporções muito maiores e mais “amedrontadoras” do que antes, como ainda trouxe à tona um conjunto de problemas e questões – financeiras, políticas e, sobretudo, éticas – que (infelizmente) confirmam a “Raiva, Desconfiança, Cinismo e Decadência” como uma das Macro-Trends Mundiais 2011/2012 identificadas pela Science of the Time que mais raízes e impacto terão entre nós para os próximos 2 anos. Esta tendência

1. Foi originada pelo despertar da população em geral para a crise moral de muitos políticos, a banca e algumas empresas no mundo e manifesta-se principalmente através de:
a. Um amplo e profundo sentimento de raiva contra a situação em que estão – e continuarão a estar presentes por mais algum tempo;
b. Uma postura de desconfiança em relação a quase tudo o que os rodeia;
c. Uma atitude de cinismo com relação a soluções que possam se não por termo ao problema, pelo menos minorá-lo;

2. A isto soma-se a decadência, que se reflecte, num clima descontração financeira geral e pessoal, a necessidade de nos propiciarmos algumas indulgências que nos façam, pelo menos temporariamente, esquecer os problemas que nos rodeiam.

II. Este conjunto de comportamentos da população reflectir-se-á não somente a nível pessoal, mas principalmente a nível dos negócios, e foi neste sentido que, no âmbito do nosso 1º “Master em Cool Hunting e Gestão da Inovação”, realizado de 24 de Setembro a 13 de Novembro com a Escola de Comunicação Social, que demos aos nossos formandos a tarefa de realizar um “Cool Hunt” com as metodologias que desenvolvemos para a sua execução, análise e interpretação, para verificarmos como esta tendência tem-se manifestado em Portugal, se já se podem notar derivações dela e, mais importante ainda, como aplicar os seus resultados em insights concretos para a inovação em negócios – aquela que acrescenta valor.

III. E a análise dos mais de 60 “Cool Examples” que foram recolhidos durante este estudo revelaram:
1. A extensão e a profundidade do enraizamento da raiva, da desconfiança e do cinismo – que existem mas não levam a soluções e apenas agravam o problema – e que foi amplamente confirmada pelo estudo quantitativo recente levado a cabo pelo estado, e que, entre outras conclusões, indica que a maior parte dos Portugueses acredita que o país está em uma situação pior do que a em que estava antes do 25 de Abril...;
2. Mas, e ao mesmo tempo, revela indícios do que deriva de cada um dos comportamentos acima no sentido de tentar “dar a volta” aos problemas acima, e que se traduzem, entre outros:
i. Na evolução do poder dos consumidores de “Brand Builders” (que sempre foram e continuam a ser) para potenciais “Brand Killers”, evidenciada pela extraordinária manifestação criativa de protesto contra a BP e o vazamento de óleo nos Estados Unidos, que mostra que a raiva pode ser transformada em acção;
ii. Na expansão do “Coaching” e de inovações em formas de terapias como o Yoga para nos ajudarem a sermos mais exigentes connosco mesmos e com o que nos rodeia, bem como dar-nos maior equilíbrio e reforçar a nossa capacidade de decisão, o que comprova que a desconfiança pode ser transformada em exigência e a decadência em recompensa;
iii. Na necessidade de não tocarmos somente no que está mal, mas principalmente mostrar e construir sobre o que está bem por forma a transformar o cinismo em esperança.

IV. Novamente suportados pelos “Cool Examples” que recolhemos, fizemos uma articulação de insights gerais para aplicação àquilo que, ao fim e ao cabo, faz com que as crises amainem – os negócios, que são o que dá empregos, gera riqueza e devolve a confiança e o bem-estar à maioria, que é o que se quer e sempre vale a pena.

V. O que se pode notar dos insights obtidos é que todos:
1. Aplicam-se a qualquer tipo de negócio;
2. Têm o Cliente como foco;
3. Utilizam a inovação como ponto de partida – acrescentar valor, baseados em benefícios racionais + benefícios emocionais, sobre o custo – tanto para quem vende como para quem compra;
4. São simples;
5. Demonstram que a observação e análise disciplinada de Tendências e, sobretudo, a sua aplicação em insights de inovação – seja em tempos de crise ou não – é válida e, sobretudo, prática.

VI. E para fechar este artigo, nada melhor do que reiterar que não se pode nem se deve esperar por soluções milagrosas, mas sim criar soluções viáveis e acreditar e apoiar a capacidade empresarial dos Portugueses. E como prova desta capacidade, o facto de que Portugal é um dos centros de referência e excelência para a realização de Feiras, Eventos e Conferências a nível mundial deve servir-nos de guia e as lições deste sucesso aplicadas a tantas áreas de negócio quanto sejam possíveis.


Luis Rasquilha José Eduardo Garcia
Managing Partner Senior Partner
Ayr Consulting Trends & Innovation Ayr Consulting Trends & Innovation

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