segunda-feira, junho 26, 2006

Amor ou Paixão

Duas palavras com tanto significado nas relações entre as pessoas, mas tão desprezada nas relações das marcas com os seus consumidores.

Sabemos que 95% das decisões de compra (segundo a Harvard Business School) são emocionais e apenas 5% racionais. Continuamos a pensar nas nossas estratégias de marketing, nas nossas campanhas de comunicação e nas nossas marcas apenas pelos 5% de racionalidade que o consumidor não tem em primeira opção.

Pensamos na rapidez de resposta, na facilidade de subscrição/compra, de acesso ao crédito, etc, esquecendo o impulso, o feeling, aquele momento único que não sabemos explicar mas que induz à compra, à adesão, ao querer.

Se quisermos fazer a comparação entre a dicotomia amor-paixão nas relações pessoais e nas relações marcas-consumidor então poderíamos dizer que:

As marcas que compramos por impulso, que não pensamos e queremos, quando pensamos já comprámos, usamos e voltamos a usar mas sabemos que um dia vamos deixar de usar por uma ou outra razão são aquelas por quem nutrimos um sentimento de paixão.

As marcas a quem somos fiéis, que defendemos e usamos em qualquer e em todas as situações, que continuamente compramos e recomendamos, que não imaginamos como seria sem ela, são aquelas por quem temos amor.

O grande desafio é conseguir que, depois da paixão passar, o amor prevaleça. Só assim conseguimos a fidelização, a manutenção do consumidor/cliente.

Não será assim também nas relações? A paixão arrebatadora que nos leva a deixar tudo, a planear o mundo, a mudar tudo na nossa vida? Para depois, quando acaba (leve o tempo que levar, acaba sempre) sentirmos, crescermos e desejarmos estar e ficar para sempre com essa pessoa? Digamos que é uma evolução, que nem sempre acontece, mas que desejamos que seja a consequência natural da paixão. O amor.

Assim também o queremos na relação com as marcas. E dizer amo-te a um cliente é bem mais fácil do que dizê-lo a alguém. E mais fácil de conseguir provar.

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Belo artigo. Está apaixado ou descobriu o amor?

7:34 da tarde  
Blogger Tiago Charneca said...

Boas professor, este comentário está muito ligado à obra de kevin roberts "lovemarks"? Ou inspirado talvez? Algo que também segue essa linha de raciocínio é a vontade do "público que ama" em não deixar desaparecer as tais marcas e produtos que fazem parte das suas vidas, um exemplo que me recordo nesta obra que falei, é a de os lápis de cera na qual os consumidores (não me lembra agora o nome da marca) fizeram associações ou algo do género para lutar contra o desaparecimento de certas cores que a marca disponibilizava e que queria "rejuvenescer".

Obrigado e continuação de óptimo trabalho, porque este blog é muito útil, e porque o professor é um poço de conhecimento e dá sempre jeito perder um bocado de tempo e ler o que escreve. Abraço!

11:46 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Sim,belo artigo.Concordo. É bem mais fácil dizê-lo a um cliente do que a alguém.

1:54 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

De facto, hoje, podemos estabelecer uma analogia entre paixão e amor direccionados para um ser-humano, para alguém que detém uma essência e uma existência, uma alma e um corpo; e os sentimentos que somos induzidos a sentir por objectos, por símbolos comerciais, por matéria, por nada, enfim...É que nos esquecemos que os objectos são perecíveis, as pessoas também, mas os sentimentos profundos sustentados em emoções igualmente profundas, mais ou menos efémeras, esses, são eternos, mesmo que durem um minuto...Olhe à sua volta e diga-me quantos olhares de felicidade real vê...principlamente em pessoas que vivem obcecadas pela posse de marcas e de objectos. Já é um cliché, mas um objecto, uma marca, compram-se, a paixão e o amor não. Claro que os simulados sim. E, enquanto continuarmos a fingir que podemos ser muito felizes com uma casa de 64 assoalhadas e duas piscinas, dois Porches na garagem e uns 55 pares de sapatos Chanel na sapateira, e milhentos amigos e amores de circunstância que quando nos olham vêem cifrões, só conheceremos o vazio...

7:32 da tarde  
Blogger ali_se said...

Exactamente porque a palavra Amor é a palavra-chave, a ideal das sociedades de consumo e o que tudo a ela nos remete numa fácil desculpa em perfeita e conveniente desresponsabilização. A outra palavra-chave é a Paz...

1:26 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

E quando sentimos Amor por alguém precisamos realmente prová-lo? Se precisamos, então, isso não é AMOR...é posse (é isso que suscita o Marketing)!
E o grande desafio, amigo Luis, é conseguir que no Amor haja paixão.
O Amor É. Sente-se. Não é consequência de nada. A paixão é um dos ingredientes do Amor. E quando o Amor É, dizemos tranquila e apaixonadamente AMO-TE!
Mas revelar amor a um cliente é seguramente mais fácil porque não se está a senti-lo, está-se apenas a convecê-lo.

Abraço

9:38 da tarde  

Enviar um comentário

Direccione-me

Criar uma hiperligação

<< Home