segunda-feira, janeiro 30, 2006

A corrida de canoa e o mercado português

Era uma vez uma equipa portuguesa de canoagem. De elevada solidez, apurada técnica e reconhecido dinamismo, com forte implantação no mercado e conotada com as melhores práticas de gestão na arte do remo. Essa equipa propôs a uma outra equipa (japonesa) a realização de uma prova anual, onde se defrontariam, numa clara afirmação de capacidade. Decidiu-se que cada equipa era constituída por oito homens.

As duas equipas treinaram duramente durante vários meses, sendo a portuguesa a que mais horas dedicava ao treino, saindo sempre fora de horas, já noite cerrada, compensando essas horas com mais umas horas de sono na manhã seguinte. Este excesso de treino e dedicação motivou alguns divórcios, depressões e baixas por exaustão. Mas o treino lá foi e a confiança estava alta. Quando chega o dia da corrida cada equipa estava no melhor da sua forma. No entanto, na primeira corrida os japoneses venceram com mais de um quilómetro de vantagem.

Depois da derrota, a equipa estava desanimada. O Director Geral decidiu que no ano seguinte deveriam ganhar e por isso… criou um grupo de trabalho para examinar a questão. Um grupo multidisciplinar que conseguisse explicar o fracasso e encontrar o caminho do sucesso.

Depois de vários estudos, o grupo descobriu que os japoneses tinham sete remadores e um capitão. No entanto, a equipa portuguesa só tinha um remador e sete capitães. Esta conclusão motivou um conjunto de workshops para reflexão estratégica e desenvolvimento de cenários, recorrendo a novas metodologias para desenvolver o processo de reengenharia. Após inúmeras reuniões de trabalho e face à situação de crise, o Director Geral fez prova de grande sabedoria e contratou uma empresa de auditoria para analisar a estrutura portuguesa.

Depois de longos meses de trabalho e muitos fees pagos, os consultores chegaram à conclusão de que na equipa havia capitães a mais e remadores a menos. Com base no relatório dos especialistas, apresentado ao Top Magament e Accionistas, foi decidido mudar a estrutura da equipa.

Haveria agora quatro comandantes, dois supervisores, um chefe dos supervisores e um remador. Introduziram-se uma série de novas medidas para motivar o remador: “Devemos melhorar o quadro de trabalho, motivá-lo e atribuir-lhe mais responsabilidade. Só assim seremos uma equipa de sucesso”.

No ano seguinte os japoneses venceram com dois quilómetros de vantagem.

Os responsáveis da sociedade após mais um processo de auditoria, agora com outra empresa decidiram despedir o remador por causa dos maus resultados no seu trabalho. No entanto, foi atribuído um prémio aos restantes elementos recompensando-os pela forte motivação que incutiram na equipa.

O Director Geral chamou a si o processo, dispensou os auditores e prepara uma nova análise da situação, na qual fica demonstrado que foi escolhida a melhor táctica, que a motivação era boa mas que o material deveria ser melhorado. Neste momento estão a ponderar a substituição da canoa.

3 Comments:

Blogger Bruno Pires said...

Gostei do artigo em questão publicado!Nada mais simples como uma corrida de canoa(tendo como adversários os chineses), para exemplificar o estado do mercado portugues que é uma anedota!!Qualquer das formas como estão a pensar em substituir a canoa, penso que, talvez um dia,num horizonte longinquo, havemos de lá chegar... e Venceremos... quem sabe!
Abraço
Bruno Pires

5:56 da tarde  
Blogger Filsdeputain said...

Afundas-te na água que metes, ò Zezé Rasquilha!

10:51 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Ó bruno.. nem ler sabes... sao JAPONESES!

além do óbvio, como é que se pode ganhar, se nem se sabem quem é o adversário... tss tss tss

1:55 da tarde  

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