sexta-feira, setembro 04, 2009

O universo Flogger

http://www.ruadebaixo.com/o-universo-flogger.html

Um novo movimento Argentino, começa a dar nas vistas um pouco por todo o lado.

Recentemente, um novo movimento social juvenil começou a dar nas vistas na Argentina. O movimento Flogger está estritamente ligado à internet, às marcas, à dança e ao consumo. A internet é um instrumento indispensável para estes seguidores, e usam-na para conhecer pessoas, publicar fotografias ou simplesmente navegar em comunidades virtuais.

Quem é Flogger tem de forçosamente estar inserido no fotolog.com, plataforma virtual que utilizam diariamente para publicar as suas fotos, fazer amigos, divertir-se e ganhar popularidade.

A linguagem virtual que utilizam não foge à regra: ícones, abreviaturas e neologismos estão sempre presentes. Para estes jovens, entre os 13 e os 20, ser Flogger é seguir a moda, porque não estão ligados a algum estado ideológico nem agem seguindo determinados valores, estão simplesmente aliados à estética e à dança.

Os Floggers socializam grande parte do tempo através da internet, comentando os perfis uns dos outros no fotolog. Quantas mais forem as visitas às suas páginas e quantos mais “posts”
acumularem, maior a popularidade que vão adquirindo dentro da comunidade. O gosto por todas as comunidades virtuais, onde se podem colocar fotografias, é explorado até ao limite.

Os seus hábitos passam por reunir-se em casa de amigos, nas principais praças de cada cidade e dançam ao seu próprio estilo, saem à noite, e fazem muito, mas muito shopping chegando a gastar entre 300€ a 600€ por mês em roupa.

Os Floggers têm um gosto musical muito variado que vai desde o Hip-Hop, Punk, passando pelo Reggeaton, Pop e música electrónica. O seu interesse político é nulo, não têm como hábito lerem jornais ou revistas diárias e só em algumas ocasiões assistem ao telejornal. Os catálogos de moda são os seus livros de cabeceira.

A roupa e o cuidado com o cabelo são o mais importante para esta tribo. Geralmente vestem calças de ganga skinny de cor florescente, t-shirts oversized , bandoletes coloridas, lantejoulas, lenços, camisolas aos quadrados, muitas pulseiras e piercings. Gostam de conjugar estilos e usar cores fortes como o rosa, o amarelo, o florescente usando igualmente muito a cor preto. A roupa tem de ser cómoda e sempre original, e o calçado varia entre as marcas Converse, Vans, e Nike Old Cut ou Nike Dunk. O cabelo é impecavelmente cortado de forma assimétrica, pintado milimetricamente, e penteado até ficar perfeito e liso.

A nível monetário, só alguns adolescentes recorrem a trabalhos temporários, pois a grande maioria obtém dinheiros através dos seus pais. Com a ajuda dos pais ou não, todos concentram os seus gastos em roupas, saídas, acessórios e maquilhagem.

O consumismo é a palavra de ordem dos Floggers, a sua íntima e obsessiva relação com a moda permitiu o aparecimento de marcas a produzir somente roupa flogger, sapatos flogger, acessórios flogger, tudo o que este universo necessita para a sua imagem. Paralelamente outras marcas já existentes, como a Nike, foram criando dentro das suas colecções alguns artigos dedicados exclusivamente a estes jovens.

Os Floggers são uma verdadeira fonte de marketing. Dado o aumento de seguidores, as empresas perceberam que neles está uma oportunidade por explorar. Os mais conhecidos são contratados para simplesmente passear na rua e dar autógrafos, sempre na condição de vestirem roupas e calçado da marca; são chamados a discotecas para dançar; inspiram e participam em campanhas publicitárias. Tudo isto tem como objectivo gerar consumo entre a tribo.

Vítimas da moda e da imagem, a procura incansável pela fama, e o narcisismo constante são o que caracteriza esta nova tribo urbana. O movimento Flogger está em forte expansão e começa a dar nas vistas um pouco por todo o lado.

Por Bruno Brazao

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